Isaac Asimov, um dos maiores gênios de nossa raça, não só nos brindou com vislumbres tecnológicos, como com análises profundas do ser humano, dentre estas a Tecnofobia, onde ele aborda vários outros temas, tal qual o medo que muitos têm das mudanças.
Abaixo, extraio uma parte do conto Os Robôs, Os Computadores E O Medo, a qual tem me proporcionado inúmeros momentos de reflexão.
Por que essa atitude refratária a mudanças?
Simplesmente pelo medo que se tem do processo de reeducação! As pessoas adultas gastam infinidades de horas para se habituar com polegadas e milhas, com vinte e oito dias de Fevereiro, com letras que não se pronunciam, em night e debt por exemplo, com exercícios de datilografia e sabe Deus mais o quê. Introduzir algo completamente inédito implica recomeçar tudo de novo, voltar à estaca zero da ignorância e correr o velho risco, tão conhecido, de possíveis fracassos.
As crianças enfrentariam as modificações, sem problemas - nem perceberiam, aliás, que estavam passando por elas - mas ninguém lhes da oportunidade. Vêem-se forçadas a estudar verdadeiros absurdos obsoletos e no fim se tornam também refratárias a qualquer mudança.
Além disso, são exatamente as personalidades mais influentes da sociedade humana - os medalhões eruditos, os executivos, os líderes de toda espécie - que sofreriam a maior perda de conhecimentos e especialização, ficando intelectualmente destituídas e obrigadas a descobrir novos rumos para a educação. A resistência que se opõem é, via de regra, nada menos que encarniçada.
Pois bem, tendo lido, refletido, razoado e finalmente pensado, chego a uma conclusão de que o ser humano como pessoa carrega um profundo medo de mudanças, por que o que elas conseguem aprender em vida torna-se seu estandarte e seu único bem, desta forma sendo o único recurso que dispõem para se julgarem superiores a outrem, pois se não essa ilustração que adquiriram, mas o que lhe fariam diferente de um semelhante?
Por hora, acredito eu que, intimamente todos sabem disto, que suas ilustrações de nada valem, pois podem cair por terra subitamente, e justamente por isso tornam-se resistentes as mudanças, a reeducação.
E deixo aqui um questionamento chave: Quais são os tipos de conhecimentos e informações que não correm o risco da obsolescência?
Tenho para mim que a essa pergunta cabe a seguinte resposta: O conhecimento de mim mesmo, do meu mundo interno, pois este é um conhecimento que me acompanhara por toda minha existência, sempre sendo construído, sem medos de cair em ruína.
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