Diálogo do Espírito

IconCriar o diálogo, sendo o mais franco possível. De minhas experiências de vida e conclusões, podemos obter um outro ponto de vista.

Conceito Filosófico de Espírito

Espírito é definido pelo conjunto total das faculdades intelectuais. Os três grandes momentos no devir dialético da realidade são a idéia, a natureza, o espírito. A idéia constitui o princípio inteligível da realidade; a natureza é a exteriorização da idéia no espaço e no tempo; o espírito é o retorno da idéia para si mesma. Estas três grandes partes do sistema representam ao mesmo tempo os três momentos do método absoluto: afirmação, negação e unidade de ambas. O absoluto é primeiramente pensamento puro e imaterial; depois existência exterior ao puro pensamento, dissolução do pensamento no tempo e no espaço (é a natureza). Em terceiro lugar, o absoluto regressa da sua existência exterior, da sua alienação de si para si; neste regresso converte-se no pensamento que se conhece a si mesmo, que existe por si mesmo: o espírito.

Retorno ao Jardim do Éden

Meu desconforto com a vida em sociedade vem crescendo continuamente, ao ponto de tornar-se notável aqueles que me conhecem de alguns anos. Percebendo essa situação, decidi separar um tempo para cognizar até onde este caminho me levará. Mas ao tentar fazê-lo, concluí que o futuro será uma incógnita enquanto eu não anelar passado, presente e futuro, tornando-os um só.

Devo então voltar o olhar uma vez mais para dentro de mim, e encontrar as causas primeiras desse desconforto, para então surgir com uma solução agora, e desta forma, manipulando meu futuro.

Primeiramente, comparando-me a alguns anos passados, noto que eu de fato era muito feliz. Acreditava que a vida era muito simples, e que a solução para os problemas era a mais óbvia possível. Qualquer tipo de adversidade era tratada como não mais do que um pequeno empecilho, que o tempo, a paciência e amor dariam conta. Pergunto-me agora, o que houve para que eu mudasse tanto. Hoje em dia, vejo podridão em todos os lugares, e minha vontade diz que o correto é deixar todos se afundarem em suas vidas miseráveis e ignorantes. Ainda mais, estou inconformado por ainda me encontrar aqui todos os dias, em meio à podridão.

Mas por que eu era feliz? Na época eu estava me aprimorando em uma doutrina espiritual, entrando cada vez mais em sintonia com a mesma, e podia enxergar com clareza a saída para cada situação. Baseava-me em exemplos de vida de um único personagem para as minhas tomadas de decisões, e aos poucos, suas ações se tornam as minhas, sendo incorporadas em meu modo de ser. Lembro-me de sentir que estas eram as ações mais corretas a serem tomadas, e para ser sincero, ainda sinto. Contudo, isto não me bastou, e eu pedi por mais. Jamais poderia imaginar as conseqüências do que estava pedindo.

"Cuidado com o que desejas, pois podes acabar por consegui-lo."


Sentindo toda aquela paz comigo, e harmonia com o mundo, julguei-me preparado para conhecer seus mistérios e segredos. Pois, mesmo sentindo a felicidade contínua, eu sabia que via o mundo através de um véu. Foi então que comecei a procurar outras fontes de conhecimentos. Logo encontrei a escola por trás da doutrina que estudava, em seguida foram os conceitos fusionados de várias doutrinas orientais, a filosofia, e por fim a obra de um profundo conhecedor da natureza humana. Tudo isso, foi despertando meus sentidos, para um mundo totalmente diferente daquele em que eu estava enclausurado. Em uma analogia, eu podia conviver sempre em paz e harmonia, por que transitava em meio ao pântano, trajando uma veste segura, que não me permitia enxergar o mundo como ele realmente é, tão pouco senti-lo. Ao buscar estes conhecimentos, aos poucos fui tirando pequenas partes desta roupa. Os sintomas de nojo, repugnação e medo são inevitáveis.

Tanto me admira o conhecimento adquirido, que posso até ver em passagens da bíblia a minha situação. Muito se fala sobre a bíblia, muitos a seguem fielmente, tantos outros a repudiam, porém, é dito dentro das escolas de mistérios que a bíblia é uma manual iniciático. Pessoalmente, minha inteligência diz para negar qualquer coisa vinda da bíblia, devido ao seu propósito de controlar e manipular. Mas de fato identifiquei-me com uma parte acerca da criação da humanidade.

O Jardim do Éden. A representação do paraíso, o lugar perfeito aonde não existe o mal e o pecado, tão pouco o conhecimento. Tudo é simplesmente por que é. Vive-se um dia de cada vez, desprendendo atenção apenas para o presente, pois de todo o resto o Criador há de cuidar e prover. E assim será, devote toda a sua confiança e fé a ele, e nunca haverá de lhe faltar algo ou alguma dificuldade haverá abater-lhe.

De forma semelhante eu vivia. Trancado no Jardim do Éden, até que resolvi provar do fruto do conhecimento. Tola decisão, fui jogado diretamente ao inferno, e agora busco meios para reencontrar a felicidade. De tão difícil que se mostra o processo, chego as vezes a fraquejar e penso em retornar ao Jardim do Éden. De certo que isto não é mais possível, pois uma vez que processo se deu início, se torna impossível retrocede-lo. Contudo existem meios para interromper o processo, criando ilusões, forçando a imaginar-me novamente no Jardim do Éden. Tolice, sei que preciso ser forte e ter determinação para sair do lodo sem me contaminar, mas é um árduo e duro processo, como em minha inocência, jamais pudera imaginar.

Acontece que estou decidido a me tornar feliz também dentro do pântano, e como uma frase que eu costumava recitar, "Se podemos ser feliz aqui, podemos ser em qualquer lugar. Quando passamos pelo pior, e podemos sorrir sinceramente, o sorriso irá perdurar". Fácil é falar isto de dentro da roupa, difícil é retirá-la, mais difícil ainda se mostra repetir a frase sem a roupa.

 
 
 
 

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